Métodos de triagem de vítimas em catástrofes: uma reflexão para a enfermagem

             De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), catástrofe é um fenômeno ecológico súbito de magnitude suficiente para necessitar de ajuda externa. Define-se a expressão ‘múltiplas vítimas’ como uma situação em que há um desequilíbrio entre os recursos disponíveis e as necessidades.

            Segundo Reppetto e Souza (2005), para realizar as atividades de cuidado, o pessoal de enfermagem necessita de um instrumental conceitual e técnico para abordar a realidade da prática. Ribeiro e Bertolozzi (2002) acrescentam que a enfermagem, no seu cotidiano de trabalho, parece ainda não ter incorporado plenamente à temática ecológica ao cuidado integral, restringindo, por vezes, as práticas à assistência às "vítimas" de alterações ambientais.

           De acordo com Morton e Fontaine (2011, p.213), na ocorrência de um desastre, o papel da enfermagem nos cuidados críticos é fundamental. Ressalta a dependência deste em relação ao impacto do desastre sobre as estruturas das instituições, o meio ambiente e o número de profissionais disponíveis. Com base no pensamento crítico, as competências fundamentais da enfermagem em incidentes com vítimas em massa incluem:

“a) usar uma abordagem ética e aprovada em nível nacional para suporte de tomada de decisões e priorização necessárias em situações de desastres; b) utilizar competência de julgamento clínico e tomada de decisão na avaliação do potencial para o cuidado individual adequado após um incidente com vítimas em massa (IVM); c) descrever os cuidados de enfermagem de emergência essenciais nas fases pré e pós desastres para indivíduos, famílias, grupos especiais (p.ex. crianças, idosos, gestantes) e comunidades; d) descrever os princípios de triagem específicas que são aceitos para IVM (p.ex. Sistema de  Triagem Simples e Tratamento Rápido [START]”.

 

Morton e Fontaine (2011) complementam a importância da avaliação global da situação de catástrofe, no que se refere a segurança do profissional, da equipe de emergência e das vítimas, em qualquer situação de resgate. Isso inclui a descrição de sinais e sintomas decorrentes da exposição a agentes químicos, biológicos, radiológicos, nucleares e explosivos.

            Nesse sentido, faz-se necessário o planejamento do cuidado que contemple as diversas alterações do meio ambiente. Teixeira e Olcerenko (2007) evidenciam a elaboração de um plano de ação para situações de desastres, catástrofes e múltiplas vítimas, bem como um eficiente sistema de controle que não transfira o caos do local da catástrofe para o hospital - o que é muito comum em eventos dessa magnitude.

Um dos métodos mais utilizados no Brasil e no mundo o método S.T.A.R.T. (Simple Triage and Rapid Treatment) – traduzido como ‘Simples Triagem e Rápido Tratamento’.   No Brasil, esse método passou a ser utilizado a partir de 1999. A triagem é o termo dado ao reconhecimento da situação e seleção das vítimas por prioridades na cena da emergência. (TEIXEIRA E OLCERENKO, 2007)

Esse processo de triagem deve ser utilizado quando os recursos de pessoal e de material forem insuficientes frente a um acidente. Utilizado em todo o mundo, contempla a avaliação das condições fisiológicas da vítima em três fatores que são: - respiração, circulação sanguínea e nível de consciência, por meio de um fluxograma que prioriza o atendimento por cores: vermelha (prioridade 1), amarela (prioridade 2), verde (prioridade 3) e preta (prioridade 4). Entretanto, em alguns países que utilizam o fluxograma S.T.A.R.T. para a classificação das vítimas de desastre, pode haver variação das cores empregas na classificação de prioridades.

 De acordo com Teixeira e Olcerenko (2007), a utilização de métodos como o S.T.A.R.T. por si não garantem a triagem, uma vez que eles devem ser estar associados a profissionais treinados (teoricamente e na prática), e que possuem preparo psicológico adequado às situações vivenciadas, para a agilidade e acurácia da tomada de decisão.

Concordamos com Teixeira e Olcerenko (2007) que o método de triagem S.T.A.R.T. é método confiável e de grande utilização em todo o mundo, e que por isso não pode ser esquecido ou ignorado. Além disso, a inexistência de uma plano de contingência a situações de múltiplas vítimas interferir na eficácia do atendimento, correndo o risco de falhas na priorização de atendimento às vítimas mais graves, com vistas às maiores probabilidades de sobrevivência.

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Ministério da Integração Nacional. Secretaria de Nacional de Defesa Civil. Conferência geral sobre desastres. Brasília, 2007. 23 p.

 

MORTON, P. G.; FONTAINE, D. K. Cuidados Críticos de Enfermagem: uma abordagem holística. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011.

 

REPPETTO, M. A.; SOUZA, M.F. Avaliação da realização e do registro da Sistematização da Assistência de enfermagem (SAE) em um hospital universitário. Rev Bras Enferm; v. 58, n. 3, p. 325-9, maio-jun, 2005. Disponível em   <http://www.scielo.br/pdf/reben/v58n3/a14v58n3.pdf>, acesso em 23 mar. 2011.

 

MORAIS, K. R. S.;  VASCONCELOS, L.C. A.; LIMA, S. C. S. et al. Assistência de Enfermagem aos desabrigados das enchentes em Teresina-PI: um relato de experiência. Trabalho sob no 1618 - 1/3 publicado no 61o Congresso Brasileiro de Enfermagem: Transformação e Sustentabilidade Ambiental. 2009.  Disponível em: <http://www.abeneventos.com.br/anais_61cben/files/01921.pdf>. Acesso em:  23 mar. 2011.

 

SIATE /CBPR. Catástrofes e Atendimento a Múltiplas Vítimas.  Disponível em: <http://www.defesacivil.pr.gov.br/arquivos/File/primeiros_socorros_2/cap_28_amuvi.pdf>. Acesso  em: 23 mar. 2011.

 

TEIXEIRA, W. A. OLCERENKO, D.R. A Utilização do Método  S.T.A.R.T. em acidentes com múltiplas vítimas. Trabalho publicado no 10º Congresso de Iniciação Científica, 4ª mostra de Pós-Graduação e 1ª Mostra do Ensino Médio Disponível em: <http://www.unisa.br/pesquisa/arquivos/livro_10_congresso.pdf#page=139>. Acesso em: 23 mar. 2011.

 

RIBEIRO, M.C.; BERTOLOZZI, M.R. Reflexões sobre a participação da enfermagem nas questões ecológicas. Rev Esc Enferm USP; v. 36, n. 4, p. 300-8. São Paulo, 2002. Disponível em: <http://www.ee.usp.br/reeusp/upload/html/672/body/v36n4a01.htm>. Acesso em: 23 mar. 2011.

 

Texto escrito pelos monitores do Programa Proficiência - COFEN. 

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