Aspectos relacionados à administração de medicamentos

            Uma das atribuições, de grande relevância na prática de enfermagem, é a administração de medicamentos, que se refere ao processo de preparo e introdução do fármaco no organismo humano, visando obter efeitos terapêuticos. Trata-se de uma das maiores responsabilidades da equipe de enfermagem no contexto dos cuidados prestados ao cliente, e que envolve aspectos legais e éticos.

            Pensando sobre a importância da temática, gostaríamos de enfatizar os aspectos relacionados à prática da administração de medicamentos. Na execução deste cuidado a enfermagem, temos como base o princípio dos cinco certos: medicamento certo, paciente certo, dose certa, hora certa e via certa. Esses passos são essenciais para a prevenção de erros resultantes da administração de medicamentos

            São os profissionais auxiliares e técnicos de enfermagem que realizam concretamente a administração de medicamentos aos pacientes e realizam a observação direta das reações adversas que podem ocorrer. E como participante ativo, o enfermeiro tem como papel fundamental a orientação, supervisão destes profissionais e a realização de atividades de educação continuada. Lembramos que, ao enfermeiro cabe a responsabilidade do cuidado direto ao paciente crítico.

            A seguir, encontramos um quadro com as principais vias de administração:

 

VIA

CONCEITO

CUIDADOS DE ENFERMAGEM

Via oral

É a administração do medicamento pela boca e deglutido com auxílio de líquidos, é segura e não requer técnica estéril na sua preparação.

·  Orientar o paciente para deglutição efetiva, oferecendo água, e, no caso de medicamento ácido, proporcionar uma refeição não gordurosa;

Via sublingual

Os medicamentos sublinguais seguem o mesmo procedimento empregado para aqueles de via oral, exceto que a medicação deve ser colocada sob a língua.

·  Pedir para o paciente abrir a boca e colocar o medicamento sob a língua:

·  Orientar o paciente para não engolir o medicamento;

·  Evitar o contato das mãos com a medicação, utilizar uma gaze para realizar o procedimento;

·  Orientar o paciente para não tomar água até que o medicamento esteja totalmente dissolvido.

Via retal

É a introdução de medicamentos no reto, em forma de supositório ou clister medicamentoso, quando não há possibilidade de utilizar a via oral.

·   Com o paciente em decúbito lateral esquerdo, com a perna superior fletida, insira o supositório retal, segurando sua extremidade com lima gaze.

·   Introduzir, com o auxílio de uma luva, o supositório logo além do esfíncter anal, evitando assim sua expulsão;

·   Orientar o paciente para permanecer deitado por alguns minutos;

Via tópica ou cutânea

É a aplicação de medicamentos na pele. Sua ação pode ser local ou sistêmica.

·  Usar luvas e aplicadores;

·  Desprezar a primeira porção da pomada, antes de usá-la;

·  Colocar a pomada sobre uma espátula sem contaminá-la;

·  Espalhar o medicamento de forma uniforme sobre a superfície envolvida;

Via nasal

Consiste em levar à mucosa nasal um medicamento líquido.

·  Colocar o paciente preferencialmente deitado, com a cabeça bem inclinada para trás, permitindo que o medicamento penetre profundamente;

·  Instruir o paciente a permanecer deitado em decúbito dorsal por alguns minutos, para que o medicamento seja absorvido;

Via endovenosa

É a administração de medicamento diretamente na corrente sanguínea através de uma veia. A administração pode variar desde uma única dose até uma infusão contínua.

·  Posicionar o braço do paciente sobre o suporte ou sobre a cama e escolher o melhor vaso para acesso.

·  Realizar a punção pela parte distal, evitando articulações e seguindo os princípios da técnica;

Via intradérmica

É a introdução de pequena quantidade de medicamento entre a pele e o tecido subcutâneo, sendo uma via muito restrita e usada para pequenos volumes.

·  Introduza a agulha paralelamente a pele numa extensão de 2mm, com o bisel voltado para cima;

·  Injete o medicamento formando uma pápula;

·  Use algodão seco para a retirada da agulha;

·  Retire a agulha no mesmo ângulo que foi introduzida, para evitar refluxo da solução injetada;

·  Observe o paciente;

Via subcutânea

É a introdução de uma droga no tecido subcutâneo ou hipoderme. Nesta via a absorção é lenta, através dos capilares, de forma contínua e segura.

·   Realizar a antissepsia do local;

·   Pinçar o local com os dedos, para dar maior estabilidade durante a aplicação;

·   Aspirar para se certificar se não foi atingido um vaso sanguíneo;

·   Administrar lentamente a solução;

·   Retirar a agulha com firmeza e em movimento rápido;

Via intramuscular

Os medicamentos são injetados diretamente no músculo em graus de profundidade variados. É usado para administrar suspensões e soluções oleosas, garantindo sua absorção em longo prazo.

·  Aspirar sempre antes de injetar a medicação intramuscular, certificando-se que não atingiu vaso sanguíneo, caso isto ocorra, prepare nova medicação com novo material;

·  Injetar a medicação com calma.

Via intratecal

Quando há a necessidade de efeitos locais rápidos de drogas na região das meninges ou no eixo cérebro-espinhal, como nas infecções agudas do Sistema Nervoso Central (SNC), os medicamentos são injetados diretamente no espaço subaracnóideo.

·  Posicionar adequadamente o cliente em decúbito lateral, para favorecer a punção;

·  Manter o cliente em repouso pelo menos por duas horas após receber a quimioterapia para prevenir cefaleia;

·  Orientar e assistir o cliente com relação aos efeitos colaterais;

·  Fazer anotações de enfermagem descritiva.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

     QUADRO 1 - principais vias de administração de medicamentos

     Lembretes importantes na hora da administração de medicamentos:

·       A medicação deve ser identificada com os cinco certos.

·       Lembre-se de checar no prontuário o horário da administração dos medicamentos, pois é sua prova legal da assistência prestada de forma correta.

·       Medicação não realizada deve ser registrada, assim como intercorrências ou efeito colateral da medicação.

·       O paciente tem o direito de saber que medicação está usando e o profissional tem o dever de informa-lo.

·       Respeite a privacidade do paciente e dê a ele o direito de participar, dentro do possível da escolha do local da aplicação.

        Perante esta breve revisão, deve-se compreender que existe um universo de ações de cuidado das quais o profissional da enfermagem é responsável. A compreensão e um viver com responsabilidade traduz em uma prática profissional com uma visão holística, valorizando o paciente, com vistas a qualidade da assistência que a sociedade é merecedora. Sendo assim, todas as atividades realizadas pela enfermagem precisam estar impregnadas com ‘respeito à vida’.

 

REFERÊNCIAS

CASSIANI, S. H. B.; COIMBRA, J. A. H. Responsabilidade da Enfermagem na Administração de Medicamentos: Algumas Reflexões para uma prática Segura com Qualidade de Assistência. Rev Latino-am Enfermagem 2001 março; 9(2): 56-60. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v9n2/11515.pdf

 

PEDREIRA, M. L. G.; PEREIRA, D. G.; PETERLINI, M. A. S.YAMANAKA, T. I.;  Redesenho de atividades da enfermagem para redução de erros de medicação em pediatria . Rev Bras Enferm, Brasília 2007 mar-abr; 60(2):190-6.

Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v60n2/a11v60n2.pdf

 

Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Protocolo: Adiministração de Quimioterápicos Antineoplásicos. Disponível em: http://www.uftm.edu.br/upload/hc/seenf/trabalhos/AVIhe070927085357.pdf

 

VIEIRA, F. M. L.; BRITO, M. A. Guia Eletrônico para Administração de Medicamentos: Fundamentando uma Prática de Envermagem. Florianópolis, 23 novembro de 2007. Disponível em: http://www.bibliomed.ccs.ufsc.br/ENF0526.pdf

 

MURTA, G. F. Saberes e Práticas: guia para ensino e aprendizado de Enfermagem, 5ª edição atual e revisada, São Caetano do Sul: Difusão editora, 2009.

CASSIANI, S. H. B. A segurança do paciente e o paradoxo no uso de medicamentos. Rev Bras Enferm, Brasília 2005 jan-fev; 58(1):95-9. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/reben/v58n1/a19.pdf

Texto escrito pelos monitores do Programa Proficiência - COFEN

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