Enfermagem frente à pré-eclâmpsia


A gestação representa um período primordial na vida da mulher, repleta de fases e sentimentos, esses que por sua vez se tornam eventos complexos nos dias de hoje. Quando falamos de gestação não podemos deixar de evidenciar várias transformações patológicas e anatomofisiológicas, que dentre outros podem gerar reações emocionais e não devem ser compreendidas como um processo patológico. 

Essas alterações que ocorrem no organismo materno são decorrentes de modificações gerais e locais, que induzem uma série de adaptações fisiológicas, atribuídas aos hormônios da gravidez e a pressão mecânica causada devido ao aumento do útero e de outros tecidos. As adaptações a essas transformações fazem-se necessárias para que o embrião e depois o feto, se desenvolvam dentro dos padrões de normalidade. 

Todo o período que vai desde a gestação até o puerpério é um período importante de reestruturação na vida da mulher, principalmente em relação aos papeis que ela exerce, pois passa de filha para a mãe, revivendo experiências anteriores de sua infância com as figuras paternas. 

No Brasil, a morbimortalidade materna ainda é um fato preocupante, apesar de os números terem diminuído em 2011, primeiro ano de funcionamento do programa Rede Cegonha do Ministério da Saúde. Entre janeiro e setembro do ano de 2011, foram contabilizados 1.038 óbitos decorrentes de complicações na gravidez e no parto, o que representa queda de 21% em comparação ao mesmo período de 2010, quando 1.317 mulheres morreram por estas causas (BRASIL, 2012). 

A Pré-eclâmpsia (PE) é uma possível complicação que envolve o período perinatal, trata-se de uma síndrome que acontece no final do 2º trimestre da gestação e persiste durante todo o período gestacional. A evolução se dá na maior parte dos casos, sem maiores intercorrências, existe uma pequena parcela de gestantes que, por terem características específicas, ou por sofrerem algum agravo, apresentam maiores probabilidades de uma evolução desfavorável. Independentemente dos níveis de agravamentos, faz-se necessário uma vigilância durante toda a gestação a para assegurar o reconhecimento e o tratamento precoce das condições anormais (ZIEGEL; CRANLEY, 1985). 

A PE caracteriza-se por hipertensão, proteinúria e edema, esses sinais, são os primeiros e os mais importantes. Considera-se como limite da normalidade tensional os valores de 140/90mmHg para as pressões sistólica e diastólica. Em casos limítrofes, é necessário conhecer a pressão arterial anterior, admitindo-se que elevações de 30mmHg na sistólica e 15mmHg na diastólica representam elementos indicadores de hipertensão. A elevação tensional de 90/60 para 130/80, mesmo não atingindo o limite de 140/90, deve ser considerada anormal (ZIEGEL; CRANLEY, 1985). at

Dentre os fatores associados ao risco de desenvolvimento da PE podemos citar, história familiar e pessoal da doença; primeira gravidez; mudança de parceiro; extremos da idade materna (menos que 20 anos e mais que 35 anos); diabetes mellitus; hipertensão arterial crônica; síndrome metabólica; doença renal; gestação múltipla; mola hidatiforme; alterações trombofílicas (ZIEGEL; CRANLEY, 1985). 

O pré-natal tem como prioridade e objetivo acolher a mulher desde o início da gravidez, assegurando, no final da gestação, o nascimento de uma criança saudável e a garantia do bem-estar materno e neonatal (LIMA; PAIVA; AMORIM, 2010).

O Ministério da Saúde (MS) disponibiliza um calendário o qual deve seguir rigorosamente o atendimento do pré-natal, sendo programado de acordo com a função dos períodos gestacionais que determinam com o maior risco materno e perinatal. Sabe-se que as complicações da hipertensão gestacional são passíveis de prevenção com a ampliação da cobertura pré-natal, a preparação do pessoal de assistência; incluindo atenção primária, diagnóstico precoce de pacientes de alto risco (LIMA; PAIVA; AMORIM, 2010).

Na primeira consulta de pré-natal, deve ser realizada anamnese abordando aspectos epidemiológicos, além dos antecedentes familiares e pessoais, ginecológicos e obstétricos e a atuação da gravidez atual. O exame físico deverá ser completo, constando avaliação da cabeça e pescoço, tórax, abdome, membros e inspeção de pele e mucosas, seguindo por exame ginecológico e obstétrico. Dentre os profissionais capacitados para prestar assistência adequada, destaca-se o enfermeiro, que tem como um dos principais objetivos de trabalho o cuidar (BRASIL, 2000). 

A assistência de enfermagem à gestante com PE tem uma grande responsabilidade quanto ao diagnóstico precoce da doença e tratamento dos sintomas, bem como a instrução das mesmas, visando um atendimento humanizado à gestante como uma oportunidade de promover o cuidado e contribuir para um melhor nível assistencial. 

A conduta do Enfermeiro deve ser prioridade para detectar precocemente os sinais e sintomas de uma hipertensão para evitar maiores danos ao paciente, requerendo dos profissionais de enfermagem que todas as suas atividades e atitudes sejam conduzidas de forma correta, com atenção, conhecimento de causa, julgamento adequado e um senso apropriado de responsabilidade, considerando código de ética do profissional de enfermagem e seguindo os manuais do Ministério da Saúde e FEBRASGO (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia). 



Texto escrito pela monitora Ketlin Alexssandra Nazário

Referências

BRASIL. Portal Brasil. Rede Cegonha reduz mortalidade materna em 21% no 1º ano do programa, diz Saúde. Brasília, 2012; Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2012/05/25/rede-cegonha-reduz-mortalidade-materna-em-21-no-1o-ano-do-programa-diz-saude>. Acesso em: 20 mar. 2013. 

BRASIL. Ministério da Saúde. Assistência Pré-Natal – Manual Técnico. Brasília, 2000. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd04_11.pdf>. Acesso em: 20 mar. 2013. 

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ZIEGEL, E. E.; CRANLEY, M. S. Enfermagem Obstétrica. 8 ed. Rio de janeiro: Guanabara, 1985. 

LIMA, E. M. A.; PAIVA, L. F.; AMORIM, R. K. F. C. C. Conhecimento e atitudes dos enfermeiros diante de gestantes com sintomas de Doença Hipertensiva Específica de Gestação (DHEG) atendidas em Unidades Básicas de Saúde (UBS). J Health Sci Inst. v. 28, n.2,  p. 151-154. 2010. Disponível em: <http://www.unip.br/comunicacao/publicacoes/ics/edicoes/2010/02_abr-jun/V28_n2_2010_p151-154.pdf.>. Acesso em: 20 mar. 2013.



Comentário

avatar niedja de fatima santos
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Gostei muito deste curso,de TI desejo fazer outros como:Enfermagem frente a pre-eclampsia,
manejo da dor em pediatria,e outros que vierem.Apesar de não dispor de muito tempo para estudar
mais estou adorando.
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avatar Nilcéia Maria Antunes Cristo
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Bom dia,

Eu como enfermeira estou gostando muito dos cursos, pois estou com eles me atualizando, e esta me ajudando muito na área que trabalho, que é Pré Natal.

Obrigada!
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