Protocolo de dor torácica

A dor torácica é uma das causas mais frequentes de procura de assistência hospitalar nas salas de emergência. Estima-se que ocorram anualmente cerca de 3 a 6 milhões de atendimentos emergenciais nos Estados Unidos (EUA) por dor intensa no peito (BASSAN et al., 2000). No Brasil ainda não se tem uma estimativa, mas acredita-se que a porcentagem tenha a mesma proporção que nos EUA (ARAÚJO; MARQUES, 2007).

Na década de 70 surgiram as primeiras Unidades de Dor Torácica, a fim de proporcionar uma melhor assistência relacionada à dor no peito, para diagnosticar precocemente uma possivel doença cardiovascular e assim ter um tratamento eficaz. Objetiva-se que com as Unidades de Dor Torácica o atendimento ao paciente seja imediato, visando promover uma assistência adequada e de menor custo possível, tendo como finalidade a redução do retardo pré e intra-hospitalar para identificação e tratamento de pacientes com Síndrome Coronariana Aguda (SCA), além da redução da internação desnecessária de pacientes sem SCA e a prevenção e liberação inapropriada de pacientes com SCA (BASSAN, 2002). 

A SCA envolvem condições clínicas que abrangem desde a isquemia silenciosa, a angina aos esforços, a angina instável até o infarto agudo do miocárdio. Sendo, o infarto do miocárdio e a angina instável as síndromes caracterizadas por maior probabilidade de sequelas, com pior prognóstico, e risco de óbito (GANEM, 2012).

As principais queixas apresentadas pelos pacientes que dão entrada nas unidades de dor torácica são descritas como: sensação de estrangulamento, dor profunda, aperto, constrição, peso, queimação, pressão e indigestão. Geralmente a dor localiza-se entre a mandíbula e a cicatriz umbilical irradiando para os ombros (ORTIZ, BITTENCOURT, 2003).

Existem quatros tipos de classificação da dor torácica, sendo elas: 

Tipo A - Definitivamente anginosa: independente dos exames complementares, as características apresentadas pelo paciente dão certeza do diagnóstico de SCA. 

Tipo B - provavelmente anginosa: a SCA é a principal hipótese, mas necessita de exames complementartes para a comprovação do diagnóstico. 

Tipo C - Provavelmente não anginosa: a SCA não é principal hipótese, mas necessita de exames complementares para a exclusão do diagnóstico. 

Tipo D - Definitivamente não anginosa: as características do paciente não caracterizam a SCA como hipótese diagnóstica. Existem diversas causas para dor torácica, vindas do sistema cardíaco, vascular, pulmonar, gastrointestinal, musculoesquelético, infeccioso e psicológico (ORTIZ, BITTENCOURT, 2003).

Entretanto, mais de 50% dos pacientes são internados para investigação diagnóstica e apenas 10 a 15% dos pacientes que chegam às salas da emergência apresentam infarto agudo do miocárdio, e menos de 1% apresenta embolia pulmonar ou dissecção aórtica (BASSAN et al., 2000). 

O infarto agudo do miocárdio (IAM) acontece quando o tecido do miocárdio é destruído em alguma região do coração, com sua redução, o fluxo sanguíneo não é suficiente para a irrigação. A falta de irrigação sanguínea no músculo cardíaco pode evoluir para lesões irreversíveis na parte anterior, posterior, inferior ou lateral dependendo da extensão do comprometimento. O IAM pode ser classificado por duas maneiras: IAM com supra desnivelamento de segmento ST (IAMSST) e sem supra desnivelamento de segmento ST (IAMS sem ST) (ARAÚJO; MARQUES, 2007).

A avaliação inicial para pacientes com queixa de dor torácica deve ser realizada em menos de dez minutos, contendo: anamnese breve e direcionada para caracterização da dor torácica, exame físico direcionado com aferição dos dados vitais, palpação de pulsos e identificação de sinais clínicos de gravidade, monitorização cardíaca contínua e oximetria de pulso, ECG de 12 derivações, acesso venoso periférico, exames laboratorias e radiografia de tórax (VIEIRA; RAFAEL, 2011).

Uma vez realizada a avaliação inicial e confirmado o diagnóstico de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), o paciente deve receber a terapia medicamentosa, conhecida como MONAB (morfina, oxigênio, anti-plaquetários, nitrato, anticoagulantes e betabloqueadores). Vamos ver um pouquinho sobre cada uma delas?

Morfina: Analgésico de escolha para dor torácica de origem isquêmica, que reduz a pré e a pós-carga do ventrículo esquerdo, diminui a resistência vascular sistêmica e tem efeito analgésico no sistema nervoso central (SNC).

Oxigênio: Deve ser administrado em pacientes com saturação de O2 menor que 90% ou com presença de sinais de hipoxemia, sendo feita a monitorização da saturação com oximetria de pulso.

Nitrato: Reduzem a dor torácica, mas não substituem os analgésicos, são responsáveis pela dilatação das coronárias, do leito vascular periférico e dos vasos de capacitância venosa.

Antiplaquetário: Inibem a re-oclusão coronária, a agregação plaquetária e a recorrência de eventos, tendo como exemplo: aspirina e clopidrogel.

Anticoagulantes: Mantem a latência da artéria coronária culpada pelo infarto, previne a formação de trombose venosa profunda, trombos no ventrículo e surgimento de embolia pulmonar e cerebral.

Betabloqueadores: Bloqueiam o estímulo simpático sobre a frequência cardíaca e a contratilidade miocárdica, diminuindo o volume de O2, reduzem a incidência de re-infarto em pacientes que recebem terapia fibrinolítica, reduzem a incidência de complicações em pacientes que não recebem terapia fibrinolítica, reduzem a extensão da lesão, a pós-carga ventricular, a isquemia pós-infarto e a incidência de taquiarritmias ventriculares (VIEIRA; RAFAEL, 2011).

Estima-se que muitos pacientes com dor torácica e IAM são liberados erroneamente para casa sem ter o diagnóstico feito na sala de emergência. A mortalidade destes pacientes liberados inapropriadamente tem maior proporção do que aqueles inicialmente hospitalizados (BASSAN et al., 2000). 

    Com isso, concluimos que apesar do IAM ser um grande risco à saúde, podemos adquirir hábitos diários que contribuem para a prevenção da doença, como: exercício físico, alimentação saudável, abandono do tabagismo e de bebidas alcóolicas e redução do estresse. E por fim, melhorar a capacitação dos profissionais de saúde para um melhor atendimento nas unidades de emergência.

Agora colega, deixe a sua contribuição a respeito do tema. Não perca a oportunidade de contar a sua experiência caso trabalhe em uma Unidade de Emergência e já tenha vivenciado situações que podem contribuir para o aprimoramento dos colegas!

 

Monitoras: Ana Caroline de Oliveira e Milena Bellanda.

 

REFERÊNCIAS

 ARAÚJO, R. D. de; MARQUES, I. R. Compreendendo o significado da dor torácica isquêmica de pacientes admitidos na sala de emergência. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 60, n. 6, nov.- dez. São Paulo – SP, 2007.. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672007000600011> Acesso em: 22 abr. 2013.

BASSAN, R. et al. Dor Torácica na Sala de Emergência. A Importância de uma Abordagem Sistematizada. Arquivo Brasileiro de Cardiologia, v. 74, n. 1, p. 13-21. Rio de Janeiro – RJ, 2000. Disponível em: <http://publicacoes.cardiol.br/abc/2000/7401/74010003.pdf> Acesso em: 22 abr. 2013.

 BASSAN, R. Unidades de Dor Torácica. Uma Forma Moderna de Manejo de Pacientes com Dor Torácica na Sala de Emergência. Arquivo Brasileiro de Cardiologia, v. 79, n. 2, p. 196-202. Rio de Janeiro - RJ, 2002. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/abc/v79n2/11080.pdf>. Acesso em: 22 abr. 2013. 

GANEM, F. (org). Protocolo Institucional – Hospital Sírio-Libanês. Síndrome Coronária Aguda: Infarto Agudo do Miocárdio com Supra desnivelamento de ST. São Paulo – SP, 2012. Disponível em: <http://www.hospitalsiriolibanes.org.br/sociedade-beneficente-senhoras/Documents/protocolos-institucionais/protocolo-SCA-com-supra.pdf>. Acesso em: 22 abr. 2013.  

 ORTIZ, M.; BITTENCOURT, M. G. Hospital de Clínicas (HC). Universidade Federal do Paraná (UFPR). Departamento de Clínica médica. Disciplina de cardiologia. UTI Cardiológica Protocolo de Dor Torácica. Curitiba, 2010. Disponível em: <http://www.saudedireta.com.br/docsupload/1332108029Prot_Dor_Toracica.pdf>. Acesso em: 22 abr. 2013. 

VIEIRA, W. F. S.; RAFAEL, D. Hospital de Clínicas (HC). Universidade Federal do Paraná (UFPR). Departamento de Clínica médica. Disciplina de Cardiologia. Unidade Coronariana. Protocolo de Manejo Hospitalar do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnível de segmento ST. Curitiba, 2011. Disponível em: <http://www.hc.ufpr.br/sites/default/files/protocolo_IAMCSST_2011.pdf>. 22 abr. 2013.   




Comentário

avatar simoni da rosa
+4
 
 
Mt bommmm adorei.....
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avatar jeane silva barbosa cruz
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Sou Técnica de enfermagem e num certo plantão à noite um senhor esteve na emergência do hospital foi medicado e encaminhado para cidade vizinha para realização de exames complementares para diagnosticar IAM porém o mesmo recusou, mais ou menos 40 minutos após ele retornou enfartando , realizou antiplaquetário, oxigênio,anticoagulante e rapidamente fui com ele até a cidade vizinha porem à 10 minutos de chegar ao hospital ele veio a óbito,infelizmente.Tudo porque ele resistiu,queria ir só no outro dia!
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avatar Adriano Lourenço
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Muito termos informações sobre qualquer tema, quanto a dor torácica, sabemos que não temos tantos colegas com experiências para investigação nesses casos, por tanto tudo que vemos e lemos é de fundamental importância para nosso aprendizado.
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avatar Edina
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Muito bom o tema.....
Que bom seria se todos os profissionais da saúde, principalmente Enfermeiros que na maioria das vezes são a comissão de frente do Pronto Atendimento estivessem atualizados nesses temas....Pois dor Torácica e IAM são queixas comum para quem trabalha nos PAs, porém muitas vezes por falta de conhecimento os pacientes voltam para casa correndo risco de morte...Sendo q a maioria das vezes a triagem é feita erroneamente e devido a superlotação dos Pronto Atendimentos os pacientes que chegam com dor torácica são apenas medicados com analgésicos e retornam para casa....podendo ocorrer sérios danos consequentement e.....Enfermeiros e equipe, leiam sempre, se atualizem para prestar o melhor atendimento ao paciente, nós temos o dever e a capacidade de salvar vidas.....Obrigada
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avatar solimar
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\nem sempre a comissão de frente de uma UPA é o Enfermeiro. pode ser sim na admissão, porém já tive oportunidade de ter em meu circulo de trabalho excelentes técnicos de enfermagem que podem dar uma aula de emergência a muitos enfermeiros, principalmente os recén formados que acham que apenas um diploma pendurado no pescoço os fazem ser profissionais.
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avatar cristiana
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mais um pouco de conhecimento para nós os que estamos no atendimento ao paciente.
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avatar Geziane
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Adorei o assunto...acredito que profissionais da área de Saúde deve estar atualizado...um dia podemos ser o paciente......já vivenciei a experiência de ser paciente e infelizmente..existe profissionais que ainda ignoram a dor Torácica...
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avatar Helio Hanna
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Parabéns pelo tema!!
Sou Enfermeiro, trabalho em Emergência e estou finalizando um trabalho sobre relato de experiência do uso de protocolo de dor torácica em nosso serviço.
Acredito que em breve poderemos disponibilizar para todos.
Grande abraço
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